Especialistas que participam do 6º Congresso Brasileiro de Soja,
realizado em Cuiabá (MT), apontam que a África deve ser responsável por
atender à crescente demanda mundial por alimentos no futuro, ao lado do
Brasil. Para que a expectativa se torne realidade, no entanto, eles
afirmam que será preciso investimentos e transferência de tecnologias
para ajudar a desenvolver a agricultura. Conforme o presidente do
Congresso Mundial Pesquisa de Soja, Gerhard Scholtemeijer, pela primeira
vez um país africano sediará o evento, que ocorrerá em fevereiro. A
sede será a África do Sul.
O continente, apesar de apontado como novo celeiro de alimentos,
utiliza menos de 20% de suas terras para a produção. Porém, de acordo
com o especialista, o cenário pode mudar nos próximos anos, com
investimentos externos.
– O Brasil demorou muitos anos para conseguir alavancar a produção de
soja e, depois que conseguiu, nunca mais parou de crescer. Isso também
pode acontecer na África. A África do Sul, por exemplo, já registra
alguns avanços e deve ser o primeiro país africano a produzir mais de um
milhão de toneladas de soja, já na próxima safra – diz.
Considerar a semelhança entre o Cerrado brasileiro e a Savana
africana pode ser um caminho no desenvolvimento da produção de alimentos
naquele continente, na avaliação do supervisor de Transferência de
Tecnologia da Embrapa Cerrados, Paulo Roberto Galerani. Ele conduziu
pesquisas na África durante três anos e lembra que a Savana ocupa 600
milhões de hectares. Parte desta área, em sua opinião, pode ser
destinada à agricultura. Ainda segundo o pesquisador, o apoio ao
desenvolvimento da agricultura no continente não deve prejudicar o
Brasil no futuro com maior concorrência no mercado de grãos, por
exemplo.
O desenvolvimento de novas pesquisas e tecnologias no Brasil também
foi destaque nas discussões do evento nesta quarta, dia 3. Apesar de ser
referência internacional e exportador de conhecimentos agropecuários, o
país precisa garantir uma boa participação na corrida biotecnológica,
conforme o pesquisador da Embrapa US Labex, Alexandre Nepomuceno. Ele
afirma que os estudos sobre avançam rapidamente no mundo e que é preciso
que empresas públicas e privadas brasileiras invistam neste setor.

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